No contexto de Gibellina, a primeira Capital Italiana da Arte Contemporânea Sábado, 6 de junho, às 18h30 no Sistema de Quadrados, o Laboratório Artensis apresenta O manto de Ludovicoobra coral que nasce do encontro entre o artista Loredana Longo e as bordadeiras do laboratório, com a supervisão de deu Antonela Corrão e a mestre bordadeira Maria Mercante.
O projeto toma forma a partir do diálogo entre duas linguagens: por um lado, a pesquisa de Longo, que explora o conflito entre construção e destruição através do fogo e da matéria; por outro, a sabedoria das “Mães de Gibellina”, como as definiu Ludovico Corrao, guardiãs do saber artesanal que se torna um gesto cultural e uma homenagem ao homem que criou a cidade eterna de Gibellina.
Loredana Longo, durante sua primeira residência em Gibellina, visita com Antonella Corrao o Museu das Tramas Mediterrânicasimpressionado com a beleza das vestimentas orientais e com as histórias sobre a figura icônica de Ludovico Corrao, exclama com entusiasmo: “Antonella, já sei o que farei! Farei um longo manto em homenagem ao seu pai! Uma obra simples, mas majestosa, simbólica, que leva minha marca nos cortes que esculpirei a fogo, como queimaduras na superfície e nas costuras, como suturas confiadas às mãos experientes das mulheres de Artensis de Gibelina.” (cit.)
Desse encontro nasceu o Mantello de Ludovico. A artista e as bordadeiras trabalharam juntas num impressionante manto de veludo, marcado por queimaduras profundas. Essas feridas não são escondidas, mas costuradas com um fio de bronze que percorre o tecido como uma sutura irregular, transformando a laceração em uma cicatriz preciosa.
O trabalho é realizado numa performance coletiva: o manto, símbolo de um pacto entre saberes e gerações, será arrastado pelas bordadeiras a partir do Sistema de Quadrados até terminar na Igreja Matriz de Quaroni. Não uma simples exposição, mas um gesto de retribuição à comunidade, que traz de volta ao espaço urbano o peso, a memória e a força de uma obra nascida no laboratório
Com o manto de Ludovico, Loredana Longo confirma uma prática artística capaz de ativar processos participativos: a obra deixa de ser um objeto estático, mas é um ponto de encontro entre a investigação contemporânea e a memória histórica de Gibellina, num diálogo que continua a regenerar-se através da comunidade.
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